
Foto: UNESCO/© Dominique Fournier 2012
O solstício como a personificação da unidade do património cultural e das tradições seculares
A cultura é o conjunto de características espirituais, materiais, intelectuais e emocionais distintivas de uma sociedade ou de um grupo social, e abrange, para além da arte e da literatura, estilos de vida, modos de convivência, sistemas de valores, tradições e crenças. Assim, a cultura está no centro dos debates contemporâneos sobre a identidade, a coesão social e o desenvolvimento de uma economia baseada no conhecimento.
Por isso, nas nossas sociedades cada vez mais diversas, é essencial garantir a interação harmoniosa entre pessoas e grupos com identidades culturais plurais, variadas e dinâmicas, bem como a sua vontade de conviver. Neste sentido, a diversidade cultural é património comum da humanidade e deve ser reconhecida e afirmada em benefício das gerações presentes e futuras.
Conscientes de que os solstícios e os equinócios simbolizam a fertilidade da terra, os sistemas de produção agrícola e alimentar, o património cultural e as suas tradições milenares; A Assembleia-Geral das Nações Unidas reconheceu que a celebração destes eventos é uma personificação da unidade do património cultural e das tradições seculares, desempenhando ainda um papel significativo no reforço dos laços entre os povos com base no respeito mútuo e nos ideais de paz e boa vizinhança. Por isso, reconheceu o dia 21 de junho como o Dia Internacional da Celebração do Solstício.
Contextualização
Um solstício — derivado do latim sol (“sol”) e sistere (“parar”), porque o movimento sazonal da trajetória diária do Sol (visto da Terra) parece “parar” num limite norte ou sul antes de inverter a direção — é um evento que ocorre quando o Sol atinge o seu arco diurno mais setentrional ou meridional em relação ao equador. Assim sendo, existem dois solstícios que ocorrem anualmente: por volta do dia 21 de junho (vulgarmente conhecido como “Solstício de Verão” por ser o primeiro dia do verão e o dia mais longo do ano) e do dia 21 de dezembro (vulgarmente conhecido como “Solstício de Inverno” por ser o primeiro dia do inverno e o dia mais curto do ano).
Por outro lado, um equinócio — derivado do latim aequinoctium, de aequus (igual) e nox (noite) — é comummente considerado o instante em que o centro do Sol visível está diretamente acima do Equador, e isto ocorre duas vezes por ano: por volta de 20 de março (chamado “Equinócio de Primavera”, pois marca o início da primavera na maioria das culturas) e 23 de setembro (chamado “Equinócio de Outono”, pois marca o início do outono). Os equinócios são os únicos momentos em que o terminador solar (a “borda” entre a noite e o dia) é perpendicular ao Equador e, por isso, o dia e a noite têm uma duração aproximadamente igual.
Os solstícios, juntamente com os equinócios, estão ligados com as estações do ano, as colheitas e os meios de subsistência. Por isso, muitas culturas celebram várias combinações dos solstícios, dos equinócios e dos pontos médios entre eles, levando a vários feriados que surgem em torno destes acontecimentos.
Festivais de fogo do solstício de verão nos Pirenéus
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Os festivais de fogo do solstício de verão têm lugar nos Pirenéus todos os anos na mesma noite em que o sol está no zénite. Ao cair da noite, pessoas de diferentes cidades e vilas transportam tochas acesas montanha abaixo para acender uma variedade de faróis construídos tradicionalmente. A descida é um momento especial para os jovens, significando a transição da adolescência para a idade adulta. O festival é considerado um momento para regenerar laços sociais e fortalecer sentimentos de pertença, identidade e continuidade com celebrações que incluem folclore popular e jantares comunitários. As funções são atribuídas a pessoas específicas. Em alguns concelhos, o Presidente da Câmara é responsável por acender o primeiro farol. Noutros, um Padre abençoa ou acende o fogo. Noutros locais, o homem mais recentemente casado acende o fogo e lidera a descida até à aldeia. Muitas vezes, as jovens solteiras aguardam a chegada dos portadores da tocha à aldeia com vinho e doces. De manhã, as pessoas recolhem brasas ou cinzas para proteger as suas casas ou jardins. O elemento tem raízes profundas nas comunidades locais e perpetua-se graças a uma rede de associações e instituições locais. O locus de transmissão mais importante é a família, onde as pessoas mantêm viva a memória desta herança.
Fonte: Nações Unidas









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