Antes de mais, afirmo sem qualquer receio: não sou adepta da sororidade. Defino-me como uma mulher feminista e, diga-se de passagem, extremamente feminina. Há quem confunda tudo isto, misture conceitos e, no fim, nem saiba ao certo o que defende enquanto mulher.
Sobre a sororidade, não me diz nada porque não acredito que as mulheres devem apoiar-se mutuamente apenas por serem mulheres. O que realmente une as pessoas são valores, princípios e caráter, não o género. Conheço mulheres que estiveram em posições de decisão e que poderiam ter feito a diferença na defesa dos direitos das mulheres, mas não o fizeram. Não por falta de poder, mas porque isso simplesmente não fazia parte das suas prioridades. Faltou empatia, sim – empatia no verdadeiro sentido da palavra, que é colocar-se no lugar do outro e agir em prol de algo maior.
Por outro lado, conheço homens que demonstram mais sensibilidade para com as mulheres do que muitas mulheres. Homens que compreendem, apoiam e defendem as nossas causas porque têm valores e princípios sólidos. Por isso, considero mais importante trabalhar os valores e princípios do que reduzir o debate a uma questão de género.
Dito isto, defendo a representatividade e as quotas em sociedades ou organizações historicamente fechadas às minorias. Mas sempre deixei claro que não defendo cargos para mulheres só por serem mulheres. As quotas devem existir para garantir oportunidades iguais, mas o mérito deve prevalecer sempre.
Tenho plena consciência de que a luta entre homens e mulheres continua a ser desigual em muitos contextos. Sei que somos geneticamente diferentes e que não podemos ser considerados iguais em tudo. Mas aquilo que devemos exigir é igualdade de oportunidades, sempre respeitando as nossas diferenças.
Nota:
A Gilvanete Chantre é uma jornalista de referência em Cabo Verde. Ex-Assessora de Imprensa do Gabinete do Primeiro-Ministro de Cabo Verde e Embaixadora do nosso jornal digital “24 Turismo”.









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